Eu te ajudo a se DES-cobrir. [Role para baixo]

O que eu queria mesmo é que as pessoas se DES-cobrissem.

Tirassem a máscara, a coberta, o peso e
enxergassem o mundo real.

Elas entenderiam então que o segredo da vida
é viver em tranquila indiferença.

Não que estarão mortas em vida,
mas que perceberão, finalmente, que existem coisas que não
controlamos. E que essas, precisamos deixar ir.

O único caminho é focar naquelas que controlamos.

No final das contas

“Eu ainda estou para conhecer uma única cliente que não retire seu véu, ou ultrapasse sua cortina de fumaça, e descubra que, no final das contas, é realmente amor que ela está buscando (mesmo quando ela talvez já tenha uma vida repleta dele).”

-Dra Libby Weaver

Escrevo esse texto com lágrimas nos olhos e coração apertado, de um lugar de insegurança, vulnerabilidade e muito amor. Há um pouco mais de 13 anos atrás eu era daquelas pessoas que achava que animais de estimação eram perda de tempo, estresse desnecessário e falta de liberdade (ainda mais se fosse um gato de quem, culturalmente, aprendi ter receio e desconfiança). Apesar de achar lindos esses bichinhos, não queria um para mim.

Até o dia que meu marido começou a falar em adotar um gatinho. Eu, no começo, resisti fortemente à ideia. Como assim ter um bicho estranho que pode me atacar a qualquer momento? Eu não fazia a menor ideia de toda a jornada de transformação e aprendizagem que me aguardava pela frente.

Foi no dia dos namorados em 2005 que a Kira chegou na minha sala de aula num cantinho de Belo Horizonte. Foi surpresa do marido, mas ela não foi escolhida, ela que o escolheu. Subiu no colo, ficou querendo carinho e a gente era dela, não tinha muito jeito. 2 meses de pura fofura e amor à primeira vista. Quando ele chegou segurando aquela bolinha de pelo no colo, ela já tinha me ganhado antes mesmo de me conhecer.

Ter um gatinho em casa é quebrar mil paradigmas ao mesmo tempo. Sim, ela gosta do espaço dela, mas a Kira sempre foi manhosa, sempre fez charme quando a gente falava com ela e sempre quis colo. Ela, desde sempre e com muita paciência, contrariava todas os meus pré-conceitos e me ensinava, por mais clichê que possa parecer, uma nova forma de amar.

13 anos se passaram e as histórias são muitas. A Kira é até conhecida no YouTube simplesmente por ser. 13 anos e eu nunca imaginaria que chegasse até aqui, revendo e revivendo. Há 1 mês e meio atrás descobrimos que a Kira estava com câncer, completamente tomada de tumores e com várias complicações que não dão para ela um bom prognóstico. Há 2 meses atrás a Kira duplicou a dose de amor, carinho, colo e presença nos nossos dias. Foi quase como se ela estivesse preparando para se despedir da gente da forma mais relevante possível: nos lembrando que, no final das contas, tudo que realmente importa, e que no fundo buscamos e fica com a gente, é o amor.

Para ela não importa a casa que temos, o carro que temos, a carreira de empreendedores (bem-sucedidos ou não), os likes no Instagram, o dinheiro, as viagens, o tipo de corpo, a imagem ou o sucesso. Ela sabe muito bem que isso não traz o que ela (e a gente) busca. O que realmente importa é o que ela tem nos dado e permitido por 13 anos e intensificado nos últimos dois meses: amor. Importa olhar com carinho, estar presente, ficar no colo e pedir aconchego. É piscar devagarinho (uma forma dos gatinhos demonstrarem afeto) quando falamos manso com ela. É estar 100% ali e receber o que 100% de nós buscamos.

E não importa o que aconteça, o amor vai estar sempre lá na sua forma mais pura: incondicional, sem julgamentos. Não importa se estamos estressados, tristes, com raiva ou preocupados. O amor está lá para qualquer momento que escolhermos estar presente. E ela é um constante e maravilhoso lembrete disso.

E nesse último mês e meio que descobrimos tudo isso, uma coisa me vem à mente muito constantemente: é importante e precioso demais ESCOLHER estar PRESENTE. Porque todas as vezes que estive na “correria” ou impaciente não me permiti dar e receber amor. Todas essas vezes eu perdi uma chance de sentir o que existe de mais puro e forte nela e em mim. Todas essas vezes eu perdi um momento de me reenergizar e conectar comigo mesma através do sentimento que, no final das contas mesmo, é o que todos nós perseguimos sem saber que já temos.

E muitas vezes não sabemos simplesmente porque não nos permitimos sentir e estar presentes. Porque o amor está lá, te chamando, pedindo nem que sejam 30 segundos do seu dia de 100% de atenção plena e presença. O AMOR ESTÁ AQUI e AÍ, é só a gente querer, conscientemente e atentamente, experimentar.

E um dia depois da cirurgia da Kira as únicas coisas que consigo pensar são o tanto que ela, sem cobranças e sem querer, me ensinou a me abrir para o amor de uma forma completamente diferente, e o tanto que quero me dar todas as oportunidades de sentir esse amor para sempre, seja de onde ele vier. Já comecei a fazer isso com mais frequência há um ano. De parar, observar e estar presente para receber e experimentar esse amor. Foi há um ano atrás que (conscientemente) acordei para isso e espero que a Kira também te ensine que 1 ano em 13 quer dizer que muitas chances de amor foram “perdidas” (de serem vivenciadas inteiramente), mas que nunca é tarde para viver todas as outras.

A Kira volta para casa hoje ou amanhã, ainda não sabemos. E também não sabemos como será a recuperação daqui para frente. A situação dela é delicada e imprevisível. E por isso meu coração está pequenininho, porque não sei se ela volta para mim como era, se ela recupera e me dá mais algumas chances de viver esses momentos de carinho e amor com ela e comigo, não sei o que vai acontecer. E, de novo, por mais clichê que possa parecer, este último mês eu agradeci imensamente por tudo que ela me ensinou, pela pessoa melhor que sou hoje por causa dela (e que nem sonharia em ser há 13 anos atrás) e pela maneira tão generosa e incondicional que ela escolhe nos ensinar sobre o amor.

E para todos nós eu desejo que fique sempre o aprendizado: não espere até o final para se dar o presente de estar presente e conectar com o amor. Seja através dos bichinhos ou das pessoas na sua vida. O amor é um sentimento que cura, ensina, energiza e está inteiramente dentro da gente. E se olharmos ao nosso redor com atenção, perceberemos que temos sim muitas oportunidades durante o dia de vivenciar este amor. Mas é muito importante saber que esses são momentos tímidos e pequenos (não vem com placa de neon avisando da “oportunidade de amar”), portanto é preciso estar atento para aproveitá-los.

Porque, no final das contas, o que lembrarei mesmo são desses pequenos momentos de amor incondicional vividos em sua plenitude. E no final das contas ficarei extremamente feliz por ter percebido e me permitido parar e estar presente, e finalmente entenderei que tudo que buscava estava ali bem na minha frente e bem dentro de mim o tempo inteiro.

E ficarei sempre profundamente grata pelo aprendizado que a Kira me trouxe, e por todo amor compartilhado e presenciado.

É isso que conta no final.

Sobre o medo

Hoje acordei com medo. Medo de não dar certo, de não conseguir, de não ser relevante ou boa o suficiente. Medo de agir. Quando isso acontece eu chamo de “momento vida real”, aquele que a gente enfrenta, sabe? Aquele momento em que tudo parece demais (a palavra em inglês é overwhelming) e quando a sensação te toma de um jeito que a vontade é de parar a montanha russa da vida e pedir para descer. Já passou por isso?

Pois é. Hoje acordei com medo. E por coincidência – ou não – estou lendo um livro sobre produtividade querendo montar um projeto para aumentar a minha. E olha que esses meus projetos são bons, hein? O último que montei me rendeu 50kg a menos! Enfim, estava lendo esse livro quando me deparo com esse capítulo de Seth Godin.

Questionado sobre porque trabalhamos duro à curto prazo, mas ainda assim, muitas vezes, não conseguimos atingir nossos objetivos maiores e o que fazer para alinhar os dois, Seth Godin disse:

“A razão pela qual você pode estar tendo problemas com seu objetivo a longo prazo é quase sempre medo.

O medo, a resistência, é muito traiçoeiro. Não deixa muitas pistas. Mas alguém que, por exemplo, consegue fazer um curta-metragem que agrada imensamente todo mundo, mas não consegue levantar dinheiro suficiente para fazer um longa, ou uma pessoa que pega freelas aqui e ali e não consegue descobrir como transformar isso no seu trabalho principal – essa pessoa está se prejudicando.

E essa pessoa se prejudica, porque a alternativa é se colocar no mundo como alguém que sabe o que está fazendo. Ela tem medo que, se fizer isso, será vista como fraude. É incrivelmente difícil se levantar durante uma reunião formal de diretoria, ou uma conferência, ou apenas em frente aos seus colegas e dizer: ‘Eu sei como fazer isso. Aqui está meu trabalho. Levou um ano. Está excelente.’

Isso é difícil por duas razões: 1) te expõe à críticas, e 2) te coloca no mundo como alguém que sabe o que está fazendo, o que significa que amanhã você também precisa saber o que está fazendo, e você acabou de se inscrever para uma vida inteira de ‘saber o que está fazendo’. É muito mais fácil lamentar e se prejudicar e culpar o cliente, o sistema e a economia.”

O que eu fiz para lidar com o medo? Fiz algo diferente: agi. Grant Cardone uma vez disse algo que vai ficar marcado comigo para sempre e que, finalmente, estou conseguindo aplicar. Quando a mulher dele comentou que ele parecia não ter medo de nada, ele respondeu mais ou menos assim: “não é verdade. Eu tenho medo constantemente! Mas para mim, o medo é um indicativo de onde devo ir. Eu lido com esse dilema eliminando o fator ‘tempo’ da equação, já que é ele que promove o medo. Quanto mais tempo dedicar ao objeto da minha apreensão, mais ele se torna forte. Portanto ajo antes que ele possa tomar conta de todo meu sistema!”

E sabe de uma coisa? Em inglês algumas pessoas dizem que FEAR (medo) significa False Events Appearing Real (eventos falsos parecendo reais). E não é que quando olho para trás na minha vida percebo que poucos dos meus “monstruosos” medos se tornaram realidade? Poucos ou nenhum. Medo é, na grande parte, provocado por emoções, que são frutos do nosso foco e atenção.

Portanto em vez de me paralisar dessa vez, eu agi. Agi com medo mesmo, como fiz bravamente tantas outras vezes na minha vida. E quer saber? Hoje vou dormir em paz.